domingo, 30 de agosto de 2009

Proposta Técnica da Construção de Recife Multifuncional em Balneário Camboriú é entregue a Prefeitura

Foi entregue ao Prefeito Edson "Piriquito" no dia 7 de agosto de 2009, a Proposta Técnica para a concepção e construção de um "Recife Multifuncional" para a valorização do turismo do surfe, proteção costeira, melhoria da ecologia e da pesca artesanal em Balneário Camboriú. O Prefeito logo em seguida passou o projeto para as mãos do Secretário de Gestão Admistrativa, o Sr. Marcos Ricardo Weissheimer, o qual se prontificou em dar continuidade ao processo através de licitação pública o mais rápido possível.

Liberada a verba para o projeto serão realizados os estudos preliminares. Acreditamos que a compreensão de um sistema é sempre a primeira etapa de um projeto, antes de qualquer recomendação ou obra ser iniciada. Atingimos esta visão holística através da unificação do conhecimento científico, medições campo, técnicas de modelagem computacional e engenharia.

Para atingir os objetivos do projeto do recife é importante que:

· Os processos costeiros sejam entendidos;


· Seja projetado um recife que utilize princípios naturais oceanográficos tais como rotação e dissipação de energia de ondas;


· O projeto do recife melhore a praia adjacente e;


· Os benefícios sejam maximizados em termos de custo da construção, proteção em longo prazo, qualidade de quebra de ondas para surfe e melhoramento da ecologia.

Acompanhe o andamento do projeto através deste blogg. Dê sua opinião. Ela é muito importante para que os objetivos sejam alcançados.

sábado, 16 de maio de 2009

Projeto para implantação de recifes artificiais em Itapema é apresentado hoje para a comunidade. - Matéria no Jornal "O Atlântico" de Itapema 15/05

Já existem problemas de erosão na praia de Itapema devido à construção das edificações muito próximas a praia e drenagem pluvial em eventos extremos. Foto: Flávio Fernandes

Itapema - Hoje (15/05), às 19h, será apresentado para toda a comunidade de Itapema um projeto que prevê a implantação de recifes artificiais na praia central da cidade. A apresentação do projeto acontece na Câmara de Vereadores e tem a finalidade de evitar enchentes, recuperar a praia, consertar a drenagem do município, além de aumentar a faixa de areia fomentando assim o turismo.
Para Carlos Eduardo Paulo, conhecido como Kaloi, engenheiro civil de Itapema, a implantação de recifes artificiais na praia da cidade servirá para evitar que uma catástrofe aconteça, pois existe um grande risco de ter uma invasão muito breve do mar e existem cerca de sete pontos mais baixos em Meia Praia, para onde a água das ruas tende a correr.
"Os pontos mais baixos são nas proximidades da rua 255, próximo ao banco do Brasil, próximo ao castelinho, na rua 305 e perto do rancho pescador, na rua do restaurante canoinhas. Então, se tiver ondas e como a área da praia está baixa as ondas irão bater na praia e entrar em baixo das construções, dos prédios, onde a água da chuva já está se concentrando", informa Kaloi.

O PROJETO

Marcos Gandor, oceanógrafo, está desenvolvendo o projeto e explica que a praia de Itapema há muito tempo sofre com problemas de erosão costeira e respectivas tentativas ineficientes de resolver seu problema. As causas dessa erosão são segundo ele, o completo desaparecimento da vegetação natural de dunas frontais que deixou a praia sem sua proteção natural contra o avanço do mar e energia de ondas. Outros fatores são segundo ele, as edificações ali construídas, muito próximas a praia que não possibilitam o desenvolvimento de um novo perfil que consiga restabelecer seu equilíbrio dinâmico. Isto significa que, a cada ano, a faixa de areia da praia de Itapema diminui devido ao desequilíbrio no balanço de sedimentos (sai mais areia do que entra). Aliado a esse fato, em eventos de tempestades e chuva provoca o surgimento de canais de drenagem na faixa de areia da praia. O surgimento destes canais se deve ao fato da areia ser transportada pela corrente provocada pela chuva. O transporte desta areia agrava ainda mais o saldo negativo no equilíbrio da praia.
Para Marcos, a maioria dos projetos de recuperação costeira atua reduzindo os efeitos da erosão, isto é, não ataca diretamente o agente causador da erosão. Por exemplo, rochas, muros de contenção, quebra-mares ou espigões ao longo de praias arenosas que atuam apenas abrandando os efeitos da erosão costeira. "Estes tipos de projetos necessitam de repetidas manutenções e modificações que são, muitas vezes, mais dispendiosos do que os projetos iniciais", afirma Marcos.
Já os recifes submersos próximos à costa produzem impacto benéfico na estabilidade costeira. "Os recifes atuam como uma barreira natural dissipação da energia das ondas. As ondas quebram devido a pouca profundidade sobre os recifes costeiros. Como resultado deste processo, saliências costeiras são presentes na parte da costa abrigada por recifes costeiros," explica Marcos.
Segundo ele, é o crescimento de uma saliência na costa que conduz ao aumento da estabilidade da zona costeira. Desta forma, a implantação dos recifes artificiais na praia pode proporcionar uma solução de proteção costeira que simula os efeitos produzidos por recifes naturais. "A construção de um recife artificial submerso pode interromper o problema erosivo da Praia de Itapema", declara Marcos.
Além disso, o projeto pode trazer muitos outros benefícios para a cidade como a formação de habitat para organismos marinhos, se tornar um excelente local para a prática do surfe, mergulho, natação segura, pesca artesanal e recreacional.

Alguns dos benefícios gerais do recife artificial:
* Aumento da proteção contra a erosão;
* Aumento das vendas das lojas ligadas diretamente e indiretamente a esportes aquáticos;
* Estabelecimento de escolas de surfe;
* Local para competições locais, nacionais e internacionais;
* Local para enriquecimento da vida marinha;
* Aumento do comércio de alimentação e acomodação locais;
* Local com alta concentração de peixes para pesca artesanal e esportiva.

Por Sunisa Paludo



quinta-feira, 23 de abril de 2009

A cidade de Itapema se interessa por projeto de proteção costeira com Recifes Artificiais

Na última quarta-feira (22/04) o oceanógrafo Marcos Gandor ministrou palestra na Câmara de Vereadores de Itapema sobre a metodologia de proteção costeira com Recifes Artificiais Multifuncionais.

Palestra na Câmara dos Vereadores de Itapema.

Na palestra foi salientado por Gandor que a Praia de Itapema há muito tempo sofre com problemas de erosão costeira e respectivas tentativas ineficientes de resolver seu problema. "O completo desaparecimento da vegetação natural de dunas frontais deixou a praia sem sua proteção natural contra o avanço do mar e energia de ondas. As edificações ali construídas, muito próximas a praia, não possibilitam o desenvolvimento de um novo perfil que consiga restabelecer seu equilíbrio dinâmico. Isto significa que, a cada ano, a faixa de areia da praia de Itapema diminui devido ao desequilíbrio no balanço de sedimentos, ou seja, sai mais areia do que entra no sistema. " enfativa o oceanógrafo. Aliado a esse fato segundo ele, em eventos de tempestades a descarga pluvial (chuva) provoca o surgimento de canais de drenagem na faixa de areia da praia. "O surgimento destes canais se deve ao fato do sedimento (areia) ser transportado pela corrente provocada pela descarga pluvial. O transporte desta areia agrava ainda mais o saldo negativo no balanço de sedimentos influenciando diretamente no equilíbrio dinâmico da praia." finaliza Marcos Gandor. Após isto, foi explanado por Gandor toda a metodologia do uso dos recifes no controle da erosão costeira na Praia de Itapema.

Acompanhe nas próximas postagens o andamento desta matéria.

terça-feira, 3 de março de 2009

Teco Padaratz apóia o Projeto Onda Perfeita

O bicampeão mundial do WQS, Teco Padaratz, esteve com o autor do Projeto Onda Perfeita, Marcos Gândor (Fig. 1).

Figura 1 - Marcos Gândor e Teco Padaratz unidos no Onda Perfeita.


Teco, que está sempre à frente de movimentos que promovam o bom nome do surfe no Brasil, não poderia ter atitude diferente em relação ao Projeto Onda Perfeita. Por intermédio do prefeito Edson Piriquito, Teco entrou em contato com Gândor para conhecer melhor o projeto. Padaratz se mostrou muito interessado na parte ambiental, bem como na qualidade da quebra da onda que será construída na Praia do Coco. Finalizou a conversa se disponibilizando inteiramente para a concepção do projeto e confessando que esta proposta a muito tempo já havia sido vislumbrada por ele.

O Projeto Onda Perfeita está aberto à comunidade e quer conquistar mais e mais pessoas com atitudes que contribuam com crescimento da cidade de maneira responsável. Este projeto não é apenas para o surfe. Promove também o desenvolvimento sócio-ambiental, e fomenta a economia da cidade em todas as épocas do ano.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Projeto Conceitual de Recife Artificial para o Surfe em Balneário Camboriú, Litoral Centro-Norte de Santa Catarina. Projeto Onda Perfeita.

A cidade de Balneário Camboriú (BC) no litoral centro-norte de Santa Catarina (Fig. 1) vem ao longo dos tempos produzindo surfistas de alto nível, como por exemplo, o surfista Teco Padaratz, bicampeão mundial de surf (WQS) no ano de 1999 e apoiador do projeto. Além disto, a cidade possui boas escolas de surfe que proporcionam oportunidade de vida para muitas crianças e adultos. Porém, o elevado número de surfistas em BC disputando lado a lado as ondas em um mesmo espaço tende a prejudicar o nível de surfe do local, sendo o agente responsável por desavenças entre os surfistas. O número de praticantes do esporte cresce exponencialmente a cada ano, mas os locais para a prática são os mesmos. Para Bancroft (1999), isto traz como conseqüência o incremento da insatisfação para com o esporte surfe. Segundo censo IBGE (2004) a população de BC está estimada em 90.000 pessoas, sendo que nos meses de verão (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) esta população aproximadamente triplica (média de 270.000 pessoas) (Fig. 2). Muitos destes turistas, na verdade, são surfistas em potencial que utilizam a praia de BC não somente para o tradicional banho de mar, mas também para aprender surfar. Desta forma, no período de férias (verão), a população de surfistas em BC aumenta seguindo as mesmas proporções do censo do IBGE (2004), superlotando a área de surfe da enseada.
Dentre os pontos de surfe na enseada de Balneário Camboriú, um se destaca por sua beleza natural e fácil acesso por passarela de madeira. A ponta norte da enseada, área de fundo de pedras, possui alto potencial para surfe na região. O local possui embasamento rochoso (fundo de pedras) em uma área correspondente a aproximadamente 1 km². Para melhor aproveitamento deste local, a proposta é produzir artificialmente quebras de ondas com ondulação a partir de 0,5 m. A implantação de um Recife Artificial para o Surfe (RAS) nesta área pode aumentar a surfabilidade do local, bem como criar novos pontos de surfe na enseada de BC.


Figura 1: Enseada de Balneário Camboriú (BC), destacando a localização do RAS (retângulo) na ponta norte.



Figura 2: Praia de Balneário Camboriú, SC, no mês de Fevereiro. Foto: Marcus Polette.


A efetivação deste tipo de projeto só ocorre quando estudos de campo e de laboratório são realizados previamente. O entendimento prévio dos processos físicos e geológicos que governam a região é indispensável para que os objetivos do projeto sejam alcançados. Estas construções costeiras podem ser realizadas incorporando opções de uso múltiplo como: habitat para organismos marinhos, local para a prática do surfe, mergulho, natação segura, pesca comercial e recreacional (BLACK et al.; apud BLACK e MEAD, 2001). Isto significa também que estas estruturas podem ser projetadas para proporcionar qualquer tipo de quebra de onda desejada. Além disto, possibilitam o uso da estrutura mesmo em dias em que não ocorre ondulação para a prática do surfe, promovendo a interação entre os praticantes de esportes aquáticos e turistas.
A Prefeitura de Balneário Camboriú e Associação de Surfe de Balneário Camboriú (ASBC) mencionam o profundo interesse em realizar este projeto.

 
Materiais e Métodos
Para dar início ao projeto primeiramente é necessária a reunião de uma equipe multidisciplinar para formular, elaborar e dirigir os estudos e planejamentos, com o objetivo de conhecer e utilizar racionalmente o meio marinho realizando, direta ou indiretamente o projeto em duas fases:

Fase A - Levantamento, processamento e interpretação das condições físicas, e geológicas do meio marinho, suas interações, bem como a previsão do comportamento dos parâmetros e dos fenômenos a eles relacionados. Nesta fase também é necessária a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental para liberação da obra pelo órgão ambiental (IBAMA).

Fase B – Obtenção dos documentos de liberação da construção junto aos órgãos ambientais e administrativos. Desenvolver e aplicar os métodos e técnicas relacionados à obra e instalação da estrutura (construção).

Para a predição do comportamento dos fenômenos provocados pela instalação da estrutura, a ferramenta utilizada é a modelagem numérica. A modelagem ajuda a dizer se a forma de se tratar um determinado sistema é a mais adequada, sendo uma ferramenta extremamente útil neste projeto. Christofoletti (2004) salienta que, a modelagem pode ser considerada como instrumento entre os procedimentos metodológicos da pesquisa científica, sob justificativa que a construção de modelos a respeito dos sistemas ambientais, representa a expressão de uma hipótese científica que necessita ser avaliada como enunciado teórico sobre o sistema ambiental focalizado. No projeto serão utilizados modelos para as predições de ondas, correntes e morfodinâmica costeira. Todas as possibilidades de instalação do recife, bem como os impactos provocados pelo mesmo são previamente investigados visando a maneira adequada de realizar a obra.

Material dos Recifes
Os recifes podem ser construídos com diversos materiais (ex: rochas, concreto, etc.). Mas, devido a problemas ambientais que podem ser provocados por materiais tóxicos, o sugerido são sacos preenchidos com sedimento arenoso. Estes são inofensivos a biota marinha sendo também de fácil manipulação. Os sacos são feitos de material biodegradável chamado Geotecido e podem ser adquiridos em empresas nacionais.

Instalação dos Recifes
Os recifes são instalados através da utilização de balsa (Fig. 4), ou barco com grande área de trabalho na popa. No caso de uso de balsa, os sacos são preenchidos através de bombeamento do sedimento para seu interior, sendo que este já se encontra submerso (Fig. 5). Neste procedimento é utilizado mergulho autônomo. No caso de uso de barco, os sacos podem ser preenchidos parcialmente na popa, sendo posteriormente fundeados com o auxílio de guincho. Em ambos os casos, os sacos são completamente preenchidos e ancorados pelo uso de estaqueamento (Fig. 6).
Figura 4: Balsa utilizada para o fundeio do recife construído na Nova Zelândia.

Figura 5: Saco sendo preenchido com sedimento ( Mount Reef, Nova Zelândia).

Figura 6: Processo de ancoragem (Mount Reef, Nova Zelândia).

Benefícios sociais
Em outra região da Nova Zelândia, mais precisamente em Lyall Bay, na cidade de Wellington, a proposta de implantação de um recife para o surfe tem provocado debates sobre a instalação. Até um importante grupo local de avaliadores foi formado, denotando a importância social do projeto. Seus interesses chaves incluem a segurança na água, efeitos na praia, efeitos nas praias vizinhas, impactos ecológicos e tabela de dias surfáveis para a comunidade local. Já em Narrowneck na Gold Coast, foi promovida a relação entre comunidades ligadas ao surfe de diferentes locais na Austrália. Ocorreu uma intercomunicação entre as comunidades no intuito de fornecer esclarecimentos a respeito da construção e funcionamento do recife. Além disto, foram criadas escolas e associações de surfe ligadas ao recife artificial.

Benefícios ambientais

Estudos no Recife de Cables Beach, Oeste da Austrália (feito de granito e rochas) indicaram grande colonização de algas marinhas, incluindo largas algas e gramas marinhas, tulipas do mar, tubos de poliquetas (espécie de minhoca do mar) e moluscos. O efeito total ambiental foi considerado positivo pelo aumento da riqueza marinha. O sucesso do recrutamento de diversas espécies de algas e invertebrados é significante. Isto, porque são espécies de base responsáveis pela ocupação básica para a evolução ao clímax de comunidades em recifes de áreas rasas costeiras. A sobrevivência continuada e crescimento das espécies base poderão facilitar o recobrimento da diversidade da vida marinha em áreas que anteriormente não eram habitadas[1].

[1] Fonte: Gorham 2000 apud Ranasinghe et al., 2001.

Benefícios gerais

Alguns dos benefícios gerais do recife artificial com funções agregadas são:

- Aumento da proteção contra a erosão;
- Aumento das vendas das lojas ligadas diretamente e indiretamente a esportes aquáticos;
- Estabelecimento de escolas de surfe;
- Local para competições locais, nacionais e internacionais;
- Local para enriquecimento da vida marinha;
- Aumento do comércio de alimentação e acomodação locais.

Resultados esperados

Espera-se obter o projeto de uma estrutura capaz de atender os seguintes requisitos estabelecidos:

- Quebra de ondas perfeitas para a prática do surfe;
- Aumento da proteção costeira;
- Agregar funções a estrutura para o benefício da comunidade local.

Conclusão
As tecnologias de recifes artificiais submersos para a quebra de ondas perfeitas para o surfe, bem como para proteção de praias, já estão disponíveis para aplicações estratégicas. Estas estruturas são consideradas o futuro do surfe (mais locais para a prática) e também da proteção costeira. É marcante o avanço destas tecnologias, e a capacitação de pessoal e da indústria brasileira faz-se necessária.


Referências
BANCROFT, S. Performance Monitoring of the Cable Station Artificial. Tese (Bacharelado em Engenharia ambiental) - Department of Enviromental Engineering, University of West Australia. 1999.

BLACK, K. Numerical Prediction of Salient Formation in the Lee of Offshore Reefs. Proceedings of The 3º International Surfing Reef Symposium, 2003.

BLACK, K. e MEAD, S. Design of the Gold Coast Reef for Surfing, Public Amenity and Coastal Protection: Surfing Aspects Journal of Coastal Research, SI29, 115-130, 2001.

CHRISTOFOLETTI, A. Modelagem de Sistemas Ambientais. Ed. Edgard Blucher LTDA. 1ª edição 1999, São Paulo – SP, 3 ª edição 2004.

MEAD, S. e BLACK, K. Field Studies Leading to the Bathymetric Classification of World-Class Surfing Breaks. Journal of Coastal Research, SI29, 5-20, 2001.

OPUNAKE ASR COMMITTEE. Proposed artificial surf reef, opunake, south tanaki. draft economic impact report and feasibility study. New Zeland, March, 2002.
RANASINGHE, R.; HACKING, N.; EVANS, P. Multi-functional Articial Surf Breaks: A Review. Center for Natural Resources, NSW - Australia, 2001.












sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Controle da Erosão em Praias Arenosas pelo Método de Recifes Submersos: Praia Brava de Matinhos – PR

A maioria dos projetos de proteção costeira funciona como mitigadora dos efeitos da erosão, isto é, não atacam diretamente o agente causador da erosão. Por exemplo, Rochas/Muros de Contenção, Quebra-Mares ou Espigões ao longo de praias arenosas, atuam apenas abrandando os efeitos da erosão costeira. Os resultados finais na linha de costa muitas vezes não condizem com a proposta inicial, necessitando periódicas manutenções e modificações que são mais dispendiosas do que os projetos iniciais. A Praia Brava de Matinhos é um bom exemplo, há muito tempo sofre com a erosão e com as respectivas tentativas ineficientes de solução para o problema (Fig. 1).

Figura 1: Visão panorâmica do trecho extremo norte da Praia Brava (centro) e registro fotográfico da erosão no local (superior e inferior). Notar placa notificando a área com risco desabamento e casa próxima à área de risco.


Por outro lado, recifes submersos próximos à costa produzem impacto benéfico na estabilidade costeira. Os recifes atuam como uma barreira natural dissipando a energia das ondas. Como resultado deste processo, saliências costeiras são presentes a retaguarda de recifes costeiros[1] (BLACK, 2003) (Fig. 2). O crescimento de uma saliência na costa conduz ao aumento da estabilidade da zona costeira. Desta forma, a introdução de estruturas submersas próximas à costa, pode proporcionar uma solução de proteção costeira que simula os efeitos produzidos por recifes naturais. Este método de proteção costeira atinge a causa da erosão costeira na sua forçante maior no sul do Brasil: as correntes ao longo da costa originadas por ondas de eventos como tempestades e ressacas. O procedimento consiste na modificação da batimetria local, de maneira que ocorra a mudança pontual da direção predominante do trem de ondas incidente. A modificação batimétrica é realizada através da construção de um recife artificial, com tamanho e formato pré-determinados. O trem de ondas ao interagir com a estrutura sofre os processos físicos de refração, empinamento, e quebra na região menos profunda. Como conseqüência desta quebra, a energia das ondas é dissipada, reduzindo assim a velocidade da corrente costeira e o transporte de sedimento na parte abrigada pela estrutura. O realinhamento do trem de ondas no ponto de quebra, bem como a dissipação de sua energia em uma região próxima à costa, resulta na redução do fluxo da corrente ao longo da costa e no incremento da sedimentação a retaguarda do recife. Com isso, haverá o desenvolvimento de uma saliência costeira que, por sua vez, irá interromper o processo erosivo no local abrigado pela estrutura (ver modelo esquemático de desenvolvimento de saliência costeira na postagem de outubro).

Figura 2: Saliência costeira na parte abrigada pelo recife submerso. Foto: Lakes Beach, Noraville, Austrália (Black e Andrews, 2001).


A construção de um recife artificial submerso pode reduzir e interromper o problema erosivo da Praia Brava de Matinhos. A efetivação deste tipo de projeto só ocorre quando estudos de campo e de laboratório são realizados previamente. O entendimento prévio dos processos físicos e geológicos que governam a região é indispensável para que os objetivos do projeto sejam alcançados. O tamanho e formato da saliência devem ser obtidos anteriormente para se avaliar os impactos ambientais e orientar o gerenciamento costeiro. Projetos mal administrados podem levar a formação de tômbolo (união entre a estrutura e a costa), o qual age como uma barreira para o transporte dos sedimentos costeiros. Por outro lado, nos projetos bem administrados, uma lacuna entre a estrutura e a praia é mantida para permitir o transporte natural de sedimentos ao longo da costa. Esta metodologia pode ainda agregar valores para benefício da comunidade local, ou seja, estas construções costeiras podem ser realizadas incorporando opções de uso múltiplo como: habitat para organismos marinhos, local para a prática do surfe, mergulho, natação segura, pesca comercial e recreacional (BLACK et al.; apud BLACK e MEAD, 2001). Estas estruturas podem ser projetadas para proporcionar qualquer tipo de quebra de onda para a prática do surfe e, além disto, possibilitam também o seu uso mesmo em dias em que não ocorre ondulação na costa, promovendo a interação entre os praticantes de esportes aquáticos e turistas.

[1] Retaguarda de recifes costeiros: Área abrigada pelo recife voltada para a costa.


Leia o trabalho completo em:


http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/16416/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Marcos%20Gandor.pdf


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Recifes Artificiais para o Surfe: definitivamente uma necessidade!


Mount Reef, Nova Zelândia.


O interesse em produzir quebra de ondas ideais para a prática do surfe artificialmente tem aumentado em resposta ao aumento do número de surfistas. Segundo estimativas[1], hoje são no mínimo 10.000.000 de surfistas ativos espalhados pelo mundo inteiro juntamente com uma multimilionária indústria de artigos de surfe. Este fato causa o aumento da pressão popular para que a prática do surfe ocorra em mais locais com condições excelentes, provocando deste modo uma forte demanda por qualidade de ondas. O esporte surfe requer uma alta qualidade de quebra de ondas para progredir.

O elevado número de surfistas disputando lado a lado as ondas em um mesmo espaço (crowd) tende a prejudicar o nível de surfe do local, sendo também o principal agente responsável por desavenças entre os surfistas. Segundo estudos realizados sobre este assunto, o crowd traz como conseqüência o incremento da insatisfação para com o esporte. A construção de Recifes Artificiais para o Surfe (RAS) pode resolver este problema e proporcionar outros tipos de recreação em sua área (ex: mergulho turístico e pesca recreativa).

A cidade de Balneário Camboriú (BC), no litoral centro-norte de Santa Catarina, vem ao longo dos tempos produzindo surfistas de alto nível. Um bom exemplo deste fato é o surfista Teco Padaratz, bicampeão mundial de surf (WQS) no ano de 1999. Teco e seu irmão Neco Padaratz (atualmente no WCT) são naturais de Blumenau e aprenderam a surfar nas ondas de BC. Além disto, a cidade possui boas escolas de surfe que proporcionam oportunidade de vida para muitas crianças e adultos. Segundo censo IBGE (2004) a população de BC está estimada em 90.000 pessoas, sendo que nos meses de verão (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) esta população aproximadamente triplica em média (270.000 pessoas). Muitos destes turistas, na verdade, são surfistas em potencial que utilizam a praia de BC não somente para o tradicional banho de mar, mas também para aprender surfar. Desta forma, no período de férias de verão, a população de surfistas em BC aumenta seguindo no mínimo as mesmas proporções do censo do IBGE (2004), superlotando a área de surfe na enseada e prejudicando o nível de surfe local. É correto afirmar que o turismo do surfe traz benefícios econômicos à cidade. Mas, é preciso lembrar também que este turismo em BC está muito a quem do que pode render a comunidade do surfe local. Como exemplo, podemos citar o turismo do surfe em Jeffrey´s Bay na África do Sul, que foi responsável por tornar esta praia mundialmente famosa. A cidade lembra um pouco as californianas Santa Cruz e Santa Bárbara que também vivem do surfe. Praticamente tudo gira em torno do surfe. As lojas, os restaurantes, os hotéis e, óbvio, as pessoas. Mesmo quem não gosta de surfar se entusiasma em permanecer horas em algum mirante observando as ondas e os esportistas[2]. Neste caso, foi necessário um planejamento adequado com a participação da população e da associação de surfe local. Somente desta forma o turismo do surfe pode ser devidamente implantado para o benefício da comunidade.

Aproveitando a natureza para o benefício do surfe local

Existem pontos próximos a costa em que já existem quebras de ondas proporcionadas por fundos rochosos. Na grande maioria destes pontos ocorre apenas a quebra pontual da onda, e, portanto, sem condição para “correr a onda” e praticar o surfe. A modificação coerente da morfologia do fundo destes locais pode proporcionar a quebra de ondas perfeitas e extensas para a prática o surfe. No litoral centro-norte de Santa Catarina, existem vários pontos próximos a costa em que uma pequena modificação do fundo pode proporcionar quebras de ondas perfeitas para o surfe. Dentre os pontos com esta característica na região, um se destaca por sua distância da praia (cerca de 1km) e grande área de extensão. O “parcel”, como é conhecido, possui alto potencial para o surfe em BC. O local possui embasamento rochoso (fundo de pedras) que se estende por uma área correspondente a 1 km². Porém, no “parcel” existe apenas uma quebra de onda (esquerda) para a prática do surfe que ocorre somente em eventos extremos com ondulações acima de 2 metros. Para melhor aproveitamento deste local, uma proposta seria produzir artificialmente outras quebras de ondas para o surfe na área do parcel. Estas quebras não aconteceriam apenas em ondulações acima de 2 metros, mas também com ondulação a partir de 0,5 metro. A implantação de RAS nesta área pode aumentar a surfabilidade do local criando novos pontos de surfe na enseada de BC.


Outro ponto a ser salientado é que recifes submersos próximos à costa produzem impacto benéfico na estabilidade costeira. No caso de um possível projeto de alimentação artificial da faixa de areia da praia de BC, os recifes atuariam como uma barreira natural dissipando a energia das ondas e protegendo o alargamento da praia. A construção de um recife artificial submerso associado a um projeto de alimentação artificial da faixa de areia poderia resolver o problema erosivo da praia de BC. Segundo o cientista e empresário do surfe Kerry Black, o realinhamento do trem de ondas no ponto de quebra, bem como a dissipação de sua energia em uma região próxima à costa, resulta na redução do fluxo da corrente ao longo da costa e no incremento da sedimentação a retaguarda dos recifes costeiros[3]. Desta maneira, ocorre o desenvolvimento de uma saliência costeira que, por sua vez, interrompe o processo erosivo no local abrigado pela estrutura (Fig. 1). O crescimento de uma saliência na costa conduz ao aumento da estabilidade da zona costeira[4].

Figura 1: Modelo esquemático dos processos provocados pelo recife artificial. Realinhamento das cristas de ondas e formação de saliência costeira.


A efetivação deste tipo de projeto só ocorre quando estudos de campo e de laboratório são realizados previamente. O entendimento prévio dos processos físicos e geológicos que governam a região de implantação é indispensável para que os objetivos do projeto sejam alcançados. Estas construções costeiras podem ser idealizadas incorporando opções de uso múltiplo como: proteção costeira, habitat para organismos marinhos, local para a prática do surfe em diversos níveis, mergulho, natação segura, pesca comercial e recreacional. Em relação ao surfe em diversos níveis, significa que as estruturas podem ser projetadas para proporcionar qualquer tipo de quebra de onda desejada (tubular, rápida, intermediária e lenta) atendendo, portanto todos os diferentes níveis surfistas.


Existem muitas alternativas sustentáveis e ecologicamente corretas para solucionar problemas costeiros. As tecnologias de recifes artificiais submersos para a quebra de ondas perfeitas para o surfe, bem como para proteção de praias, já estão disponíveis para aplicações estratégicas. Estas estruturas são consideradas o futuro do surfe (aumento de número de locais para a prática com alta qualidade de quebra de ondas) e também da proteção costeira. Antigas metodologias de proteção costeira utilizadas, como muros de contenção, molhes e espigões, não interrompem de forma eficiente o processo de erosão praial. Conseqüentemente, o dinheiro público é muitas vezes utilizado em constantes reparos nas obras costeiras (os reparos custam mais caro do que as obras iniciais). Por outro lado, é marcante o avanço e a utilização destas novas tecnologias no mundo. Países como a Austrália e Nova Zelândia, a muito tempo já utilizam a metodologia de RAS como forma de proteção costeira e também para benefício da comunidade (realização de campeonatos de surfe e etc). Portanto, a capacitação de pessoal e da indústria brasileira se faz necessária para que os recursos costeiros sejam desfrutados por todos e de forma e inteligente.


Locais com potencial para instalação de Recifes Artificiais para o Surfe (RAS) em Balneário Camboriú e região

Todos os locais que serão expostos aqui possuem embasamento rochoso (fundo de pedras). Estas áreas podem se transformar em verdadeiros “point breaks” com qualidade internacional de quebra de ondas para o surfe.

1- Área de Laranjeiras: Local de acesso pela praia de laranjeiras, onde ocorre a quebra de ondas para direita em ondulações de tempestades com direção sul e sudeste. No caso de instalação de um RAS pode proporcionar a quebra de ondas para a direita e esquerda (Fig. 2).

Figura 2: Ponta de Laranjeiras destacando a área de fundo de pedras (área pontilhada) com potencial de instalação de RAS (imagem Google Earth ®).

2- Área do Parcel e Área Praia do Coco: Locais de acesso pela praia de Balneário Camboriú. No Parcel ocorre a quebra de ondas para o surfe quando ondulações de tempestades atingem a costa (somente a esquerda do parcel). No caso de instalação de RAS neste local, toda a área pontilhada pode ser utilizada para quebras de ondas para o surfe (direita e esquerda). Já no canto da Praia do Coco ocorre a quebra de ondas para a direita e para a esquerda em ondulações de leste e nordeste respectivamente. Porém, na quebra para esquerda, duas pedras afloram no meio da parede. Este local pode proporcionar uma quebra de onda para direita com qualidade internacional de surfe (Fig. 3).

Figura 3: Porção norte da enseada de Balneário Camboriú e porção sul da Praia do Coco. Destaque das áreas de fundo de pedras (áreas pontilhadas) com potencial de instalação de RAS (imagem Google Earth ®).

3- Área da Praia dos Amores: Local de acesso pela praia dos amores. Pode ter melhor visualização pelo morro do Careca, rampa de decolagem de asa delta e parapente em Balneário Camboriú. No local ocorrem quebras de ondas em ondulações de tempestades nas direções sul e sudeste. No local mais afastado da ponta do morro do careca, também ocorre uma quebra de onda gorda (com pouca extensão) para a direita. Área com alto potencial de instalação de RAS com quebras de ondas para a direita e para a esquerda em diferentes níveis de surfe (Fig. 4).


Figura 4: Imagem do Morro do Careca e Praia dos amores em Balneário Camboriú. Área pontilhada com alta potencialidade de instalação de RAS (imagem Google Earth ®).

4- Área da Ilha do Atalaia: Local de acesso fácil pelas praias do Atalaia, Jeremias ou Cabeçudas em Itajaí. Também conhecido como “The Box”, o local proporciona uma quebra de onda para a direita em ondulações acima de 2 metros. A quebra para a direita acontece próxima a ilha na área pontilhada (Fig. 5). Porém esta quebra de onda não é extensa e demanda um nível de surfe relativamente alto para o praticante. No caso de instalação de um RAS, esta quebra de onda pode ser aumentada em extensão, bem como para ondulações a partir de 0,5 metro. Ocorre também uma esquerda no local da área pontilhada mais para o meio da praia do Atalaia, porém com pouca condição de surfabilidade. Este local também pode ser melhorado no caso de instalação de um RAS.

Figura 5: Imagem da Praia do Atalaia em Itajaí. Destaque para a área pontilhada com potencialidade de instalação de RAS (imagem Google Earth ®).


[1] Pitt, 1997 apud Mead e Black, 2001.
[2] Acesse: www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias.
[3] Retaguarda de recifes costeiros: Área abrigada pelo recife voltada para a costa.
[4] Kerry Black, 2003.